Panorama da Fruticultura

A produção mundial de frutas é estimada em 980 milhões de toneladas, correspondendo ao volume de recursos de US$ 162 bilhões e o Brasil com uma extensão territorial de 8.500.000 km2 produz aproximadamente 44 milhões de toneladas, que corresponde aproximadamente US$ 5,8 bilhões e encontra-se inserido em uma grande variação de clima e microclimas, que possibilitam o cultivo econômico de diversas fruteiras.

As espécies de fruteiras podem ser divididas em três grupos principais, de acordo com as exigências climáticas em: Temperadas, exemplos de uva, maçã, figo, pêssego, ameixa etc, as Subtropicais como citros, caqui etc. e as Tropicais como banana, caju, goiaba, mamão, manga etc.

Atualmente as frutíferas mais cultivadas no Brasil são: a laranjeira, a bananeira, o coqueiro, o cajueiro, o mamoeiro, a mangueira, o abacaxizeiro, a videira, a macieira, a goiabeira, o pessegueiro, a tangerineira, a pereira entre outras.

Destaque principal é a laranjeira com sua alta produção e parque de industrialização bem montado com a exportação de suco de laranja concentrado e congelado (SLCC), destacando o Brasil como maior produtor mundial de citros e maior exportador do SLCC.

As frutas brasileiras ainda destinam-se em sua grande maioria ao consumo interno, nas formas de frutas frescas e frutas processadas. No processamento são usadas as formas de sucos, polpas, doces, geleias, vinhos, cachaças, perfumes, assim como também na medicina.

As regiões brasileiras possuem condições favoráveis à fruticultura como mão-de-obra disponível, projetos de irrigação públicos e no semiárido clima que propicia baixa incidência de doenças e produção de frutas com qualidade de exportação.

O cultivo de frutas vem transformando e agregando valor nos pólos de produção da Região Nordeste. O Governo federal incentiva atividades em projetos de irrigação no semiárido, capacitação de pessoal em técnicas de manejo e no desenvolvimento de sementes e mudas adequadas para a região. Atualmente essa atividade gera 120 mil empregos diretos e 480 mil indiretos e, investimentos privados na ordem de R$ 500 milhões. A produção de frutas do Nordeste contribui com 27% da produção de frutas do Brasil e, é o maior pólo de produção de frutas para exportação do país.

Dentre os Estados nordestinos merecem destaque como produtores de frutas: a Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Contudo, os demais Estados apresentam potencial para desenvolver uma fruticultura irrigada e competitiva para certas cultivares, pois, as condições reinantes no semiárido propiciam baixa incidência de doenças, permitindo tratos culturais com baixo nível de agrotóxicos, favorecendo assim, o alcance de padrões internacionais e a oferta de frutas dentro de parâmetros de segurança alimentar adequados.

A fruticultura familiar comercial vem tentando caracterizar-se como um novo caminho para a geração de emprego e renda, movida por crédito, capacitação e orientação técnica, se bem que ainda num nível inicial e não suficiente.

As oportunidades para agregação de valor são reais e necessárias através do desenvolvimento da agro industrialização – 17 mil toneladas, em 2019, visando a produção de sucos, polpas, conservas, frutas secas e outros produtos derivados de maior agregação tecnológica. Por outro lado, a Região apresenta gargalos e pontos fracos, que se caracterizam como ameaças se não forem contornados como os que se seguem:

Depara-se com problemas como: a baixa eficiência de irrigação, concentração das safras a exemplo da manga e, ainda obrigado a conviver já com erradicações de culturas como a goiaba, ocasionado pelo ataque de nematoides e, do coqueiro pelos baixos preços adquiridos na fruta.

O produtor entende que lhe falta capacitação em gestão, associativismo e as entidades que foram anteriormente criadas pelos mesmos carecem de planos estratégicos de ações, pois, não dispõe de competência para uma administração e gestão das suas empresas.

Observa-se com frequência o nível de compactação/erosão dos solos, resultado de efeitos da mecanização inadequada e, de certos processos de produção, notadamente quando não se observa curvas de nível e da ausência de cobertura vegetal por longo período. Além do nível de poluição das águas com produtos tóxicos, resultado também do uso inadequado de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Problemas de infiltração de água e deficiências de drenagem são igualmente observados. Naturalmente a proteção ambiental precisa ser concebida mais amplamente, porém trata-se de uma tarefa envolvendo outras instituições além dos fruticultores e outros produtores agrícolas e suas organizações.

Sob o ângulo do desenvolvimento tecnológico, a fruticultura irrigada do Nordeste necessita acima de tudo de programas e projetos de P&D que suportem principalmente sua liderança nas exportações. Outro modelo alternativo e/ou complementar é a formação de consórcios e câmaras setoriais de comercialização, que têm se mostrado eficiente no Brasil e outras regiões em desenvolvimento, desde que se consiga um volume de escala adequada e caracterizando uma oferta administrável, não só na comercialização interna como para o mercado externo.

Exportações brasileiras de frutas

O Brasil vem aumentando suas plantações, elevando sua produtividade, incrementado o volume de produção e colhendo com mais qualidade. Mas, o nível de exportação ainda são baixos. Com a quantidade hoje exportada, o Brasil se encontra em 32a posição no ranking dos exportados mundiais de frutas. Do total produzido, 47% são consumidos in natura e 57% são processados. Dos 47% das frutas frescas apenas 2% são exortados e, corresponde algo em torno de R$ 36 milhões.

Nosso país é o terceiro maior produtor mundial de frutas, com uma produção que supera os 44 milhões de toneladas, perdendo apenas para China e Índia. A exportação de frutas em 2019, de 981 mil toneladas, com crescimento de 16% em comparação ao ano anterior. Destaque são manga, com aumento de 30%, melão 27%, uva 19% e limão 10%. Além da banana, melancia e abacate que também houve crescimento considerável.

Nesse contexto, existe uma oportunidade de investimento no Nordeste do Brasil no setor da fruticultura tropical devido: Grande vantagem comparativa com a irrigação (possibilidade de mais de uma colheita por ano); Frutos tropicais de padrão internacional em quase todo o ano; Retorno mais rápido dos investimentos (ciclo produtivo mais precoce); Grande disponibilidade de terras agriculturáveis e baratas.

Publicado por

hamiltongguerra

Engenheiro Agrônomo, Escritor, Prof. Dr. da Disciplina de Fruticultura, Pesquisador. Foi Presidente do XXI Congresso Brasileiro de Fruticultura, Editor-Chefe da Pomar a Mesa/hggfruits e atua nas áreas da Fruticultura, Biotecnologia, Diagnósticos e Gestão de Cadeias Produtivas das Frutas.

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